Psicopedagoga orienta como auxiliar crianças e adolescentes em aulas remotas

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Foto: Lorena Linhares/G1

Além de suspender as aulas presenciais, a pandemia do novo coronavírus provocou uma mudança na forma de aprendizagem dos estudantes. Para não comprometer o ano letivo, escolas optaram pelo ensino a distância e passaram a disponibilizar aulas online, ao vivo ou gravadas, para que os alunos deem continuidade aos estudos. No entanto, essa mudança requer comprometimento não apenas dos estudantes, mas também da família para orientá-los e auxiliá-los nas dificuldades.

De acordo com a psicopedagoga Flávia Dias, a organização de um ambiente de estudo adequado dentro de casa é fundamental para que o processo remoto de aprendizagem seja exitoso. “O ambiente tem que ser bem iluminado, organizado. A criança deve ficar sentada, para manter a postura, não ficar estudando na cama ou no quarto, se ele não tiver uma escrivaninha”, afirmou.

No caso das crianças, até o uso da farda escolar pode ajudar a ter uma concentração maior para estudar. “A criança entendo o ambiente de casa como um ambiente de descanso e lazer. Quando ela usa farda, ela vai internalizando que é um ambiente de estudo, um ambiente adaptado, a casa deixa de ser um ambiente de lazer para ser de estudo”, disse.

O papel dos pais nesse processo é essencial, segundo a especialista. “Com as crianças pequenas, os pais precisam orientar. Eles vão ter que acessar as plataformas, inserir senha. Se perceberem que a criança está ficando desconcentrada e impaciente, pode parar, fazer um recreio, um intervalo”, contou.

No caso de famílias com mais de um filho, a organização do tempo de estudo é ainda mais importante. “As famílias vão ter que ter uma organização de outro mundo. A organização do tempo é que vai ditar a aprendizagem de uma forma mais consciente. Se tem mais de uma criança em casa, fracionar o horário e reorganizar”, declarou.

De acordo com a psicopedagoga, crianças em processo de aprender a ler e escrever podem ter algum tipo maior de dificuldade, o que é normal devido à época atípica de uma pandemia. “Vai haver uma defasagem nesse processo [de alfabetização], mas nós temos que ser sempre positivos e acreditar que, mais pra frente, essas crianças vão poder resgatar esse processo de uma forma mais adequada”, explicou.

Problemas de conexão da internet não podem ser um obstáculo para a retomada dos estudos, segundo Flávia Dias. “As aulas são remotas, mas podem ser visualizadas posteriormente. A organização do horário de estudo é essencial. O fato de ter uma vídeoaula gravada para acessar depois não quer dizer que você não tem que seguir um horário organizado. Não pode deixar tão livre”, afirmou, lembrando a importância da rotina e da disciplina.

A questão do barulho em casa também merece uma atenção especial dos pais. “Esse é um processo de adaptação da família, não é só da criança, do adolescente, do adulto não. É um consenso familiar que tem que existir. Enquanto estiver estudando, é preciso que retirem as crianças menores, os irmãos, o cachorro dali, que evite a televisão ligada, o rádio, para não tirar a atenção nesse processo que já é complicado”, disse.

O processo de adaptação dos estudos durante a pandemia também envolve os professores. “Eles estão tendo que se reinventar e criar estratégias diferentes para atrair os alunos. Não é só ficar diante de uma câmera, gravando aula e falando de conteúdo, você tem que tornar aquilo atrativo. É um momento de aprendizagem para todo mundo, não só para os alunos, para as famílias. Nós que somos professores estamos tendo que se adaptar e aprender novas coisas”, declarou.